Moinho Zona Norte

Máscara de proteção: não saia de casa sem ela

11 de maio de 2020 - 12H57

Um pedaço de tecido, de preferência 100% algodão, suficiente para cobrir o nariz e a boca. Duas tiras de elástico. Um pequeno corte de papel toalha, papel higiênico ou lenço de papel, linha e costura. Acrescente a isso porções sem fim de generosidade e está pronta a receita que já está fazendo diferença no combate à Covid-19 para centenas de pessoas em Juiz de Fora. Considerada como aliada indispensável para quem precisa abandonar o isolamento social para aquisição de bens ou serviços essenciais, as máscaras de pano, recomendadas pelo próprio Ministério da Saúde, estão unindo cerca de 40 costureiras, entre voluntárias e remuneradas, que integram a Rede de Ajuda Humanitária na produção e distribuição gratuita do equipamento de proteção, sobretudo para as Unidades Básicas de Saúde. Formada por empresas privadas e instituições governamentais para ações coordenadas de prevenção e de fortalecimento do sistema público, a rede cresce movida pelo sentimento de urgência e solidariedade.

Com produção de 50 máscaras por dia, a psicóloga aposentada Astrid Ribeiro, de 77 anos, emocionou toda a equipe de costureiras coordenada pela artesã Jussara Cota, ao manifestar em mensagem no grupo de WhatsApp os benefícios que o trabalho voluntário trouxe para sua rotina em período de quarentena.  Ela que sempre foi muito ativa e participava de encontros em grupos de oração, atividade física, de amizade e com a família, se viu forçada à convivência diária apenas com sua cadelinha de estimação. “Eu pensava: no final do isolamento ou eu estarei latindo ou minha cachorrinha falando”, conta divertida. O convite, porém, para a produção das máscaras de tecido mudou tudo. “Essa experiência tem me ensinado muito sobre a vida das monjas: ora e labora. Gosto muito de costurar e isso está me dando um enorme bem-estar e tornando minha vida mais dinâmica. Já estava ficando sem ânimo até para comer. Mas agora tenho esse compromisso de trabalho mesmo. Estou me sentindo útil. Só não costuro à noite para não incomodar os vizinhos”, explica a aposentada que encontra na oração outra forte aliada para enfrentar esse período de distanciamento social.

Reforço na Zona Norte

No total, cerca de 830 máscaras de tecido já foram confeccionadas e distribuídas
pela Rede de Ajuda Humanitária que ganhou nesta última semana um reforço especial com o início de atividades do grupo formado por aproximadamente
15 alunas do curso de artesanato da Praça CEU, em Benfica, Zona Norte da cidade. Na quinta-feira, elas receberam 70 kits com os itens necessários à montagem de 50 máscaras cada, totalizando 3.500 unidades. Para a confecção, estão sendo pagos R$ 0,50 por peça pela mão de obra que é também uma forma de garantir renda para quem precisa neste período de redução da atividade econômica. Os recursos tanto para a compra de matéria-prima quanto para custear o trabalho
das costureiras, considerando que boa parte é voluntária, são obtidos mediante
doações de pessoas físicas e jurídicas mobilizadas pela rede da qual o Moinho, empreendimento em construção na Zona Norte, e empresas como a Simappel e Drogaria Souza, fazem parte.

Mesmo não tendo tanta disponibilidade de tempo, em função dos cuidados diários com a rotina da casa, a empreendedora Margarida de Araújo fez questão de se juntar na produção das máscaras de tecido e acabou ganhando o apoio do marido Wilson e da filha Letícia Maria. Com as atividades suspensas na loja onde a família comercializa a produção própria de pijamas, no Cascatinha, os três se uniram e estão conseguindo produzir 25 máscaras por dia. “Não é muito, mas como minha filha tem dificuldades de locomoção e requer mais a nossa atenção, inclusive, com fisioterapia, estamos muito felizes em poder colaborar de alguma forma, além de fazer sempre nossas orações pelo mundo”, observa Margarida, na esperança de que todas as pessoas saiam mais fortalecidas com essa experiência.

Tão importante quanto ter a máscara é saber usá-la

Medida extra de proteção que não representa autorização para livre circulação nas ruas sem necessidade e muito menos a substituição das medidas de higiene e limpeza das mãos com água e sabão e o álcool em gel, as máscaras de tecido são menos eficientes que as máscaras N-95 e as cirúrgicas em suas especificações técnicas, mas têm eficácia comprovada de cerca de 70%. É o que explica o médico, doutor em pneumologia e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora, Júlio Abreu, grande defensor do uso em massa pela população, sobretudo em aglomerações como o transporte coletivo, em função das características da transmissão da Covid-19.

“O transporte público tem a situação ideal para a transmissão da doença, que se dá principalmente pela via área, por meio das gotículas respiratórias liberadas quando o indivíduo fala, tosse ou espirra. Tem gente que considera até quando o indivíduo boceja. Sem o distanciamento necessário de dois metros, como acontece nos ônibus, as gotículas de uma pessoa infectada vão diretamente para o nariz de uma outra sem sequer essa segunda pessoa tocar a mão no rosto. A grande questão é que há um grupo muito grande de assintomático respiratório que, mesmo nessa fase, já é um transmissor da doença, como também o indivíduo que apresenta poucos sintomas. Como saber então quem é o transmissor? Assim, o uso da máscara tem uma dupla função de proteção, reduzindo a passagem de gotícula de pessoa para pessoa e o risco de contaminação pelo toque em superfícies contaminadas”, explica o especialista.


O pneumologista Júlio Abreu defende o uso em massa da máscara de tecido pelas pessoas que precisarem sair de casa e defende o modelo do médico Chen Xiaoting.

No entanto, tão recomendável quanto o uso da máscara de tecido, são as formas corretas de utilização e higienização, como mostra o texto em destaque elaborado a partir de orientação do pneumologista que integra a Rede de Ajuda Humanitária. O modelo da máscara, inclusive, que está sendo confeccionado pelas costureiras para doação à rede pública de saúde, desenvolvido pelo médico de Taiwan, Chen Xiaoting, tem o seu aval, por oferecer mais segurança. Junto com a coordenadora da produção, Jussara Cota, o médico tem gravado vídeos e publicado em suas redes sociais, que detalham o modo de confecção das máscaras, bem como o uso correto. O material está disponível também no site www.nossomoinho.com.br.

Cuide da sua máscara

1) É importante que antes de utilizada a máscara seja lavada com água e sabão. Deixe secar ao sol e depois use ferro quente para passa-la. É de uso individual. Não pode ser nunca compartilhada.

2)  Ela deve ser lavada todos os dias com água e sabão e, após secar, deverá ser passada com ferro quente.

3)  Sempre que for manipular a máscara, higienize antes a sua mão e os locais onde você colocará a máscara. Tenha um envelope ou saco plástico para guardar a máscara quando não a estiver usando.

4) Antes de colocar a máscara, identifique o lado que vai ficar em contato com sua face. Ele tem um pequeno bolso.

5)  Neste bolso você vai colocar um pedaço de papel toalha, um lenço de papel, ou papel higiênico de um tamanho que preencha praticamente todo o bolso.

6) Sempre que sentir que este papel está muito úmido, você deve trocá-lo. Quando fizer isso, coloque a máscara sobre um local que você tenha higienizado antes.

7) Para colocar a máscara, segure-a por ambas as alças sem tocar no meio dela.

8) Coloque primeiro uma das alças por trás de uma orelha, e, a seguir, puxe a máscara em direção à outra orelha e coloque a outra alça.

9) Puxe a máscara para cima cobrindo todo o nariz. Em seguida, puxe a parte para baixo, ajustando até a altura do queixo.

10) Para tirar a máscara, primeiro higienize as mãos e tire uma alça e depois a outra. Evite tirar muitas vezes e tocar nela, principalmente, na região da boca e nariz.

Confira os tutoriais para confecção e para uso das máscaras feitos pelo pneumologista Júlio Abreu e pela artesã Jussara Cota em: https://www.youtube.com/watch?v=K347I3i7nGY

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