Segundo dia do Festival de Inovação Social destaca a urgência de investimentos em Educação

Segundo dia do Festival de Inovação Social destaca a urgência de investimentos em Educação Esforço colaborativo e multilateral para pensar como Juiz de Fora pode se desenvolver de maneira sustentável na Educação, o segundo dia do Festival de Inovação Social conectou diferentes agentes tanto do sistema público auanto privado, assim como de organizações do Terceiro Setor, a exemplo da Fundação Roberto Marinho e da Fundação Estudar.   

 

Na parte da manhã, foram realizadas atividades com alunos de duas escolas públicas da Zona Norte, e, à tarde, mesas redondas que debateram temas, como “A educação básica em Juiz de Fora”, “Novas metodologias de ensino e aprendizagem”, “Capital humano”, “A Sociedade do Conhecimento” e “Competências do Século XXI”. As atividades foram encerradas à noite com painel sobre “Boas Práticas no Brasil”.   

 

Gerente de Desenvolvimento da Fundação Roberto Marinho, Tânia Pimenta, e o representante da Fundação Estudar, Cláudio Castro abordaram a necessidade de investimentos em educação para que seja possível a construção de um futuro sustentável. “Hoje em dia falamos muito das habilidades sócios emocionais. Fica cada vez mais fica clara essa necessidade para os jovens. Todos precisamos, mas começar por eles é muito importante”, destacou Tânia. Para Cláudio Castro, investir no desenvolvimento de relações interpessoais é vital para o crescimento das empresas e dos próprios profissionais.   

 

Assista o painel na íntegra  

 

Educação básica em pauta 

 

A Educação básica em Juiz de Fora foi o tema da primeira mesa e estavam presentes o proprietário da rede Apogeu de ensino, Makerley Arimatéia, a Fundadora e CEO do Instituto Amargen, Lívia Silveira, e a subsecretária de Articulação das Políticas Educacionais da Prefeitura de Juiz de Fora, Graciele Fernandes, que apresentou números relacionados à educação municipal: 102 escolas e 46 creches que atendem a 46 mil estudantes.  

 

“O Instituto Amargen significa amar gente, e nossa missão é superar as margens de desigualdades que segregam, criando pontes de oportunidades para pessoas de comunidade. Nossa visão é ser referência em educação e impacto social”, explicou Lívia Silveira.  Ao apresentar a Rede de Ensino Apogeu, Markeley fez questão de destacar o Projeto Transformar criado em 2016. “É um projeto que apoia o desenvolvimento de alunos de alto potencial acadêmico em condições de vulnerabilidade socioeconômica. Ou seja, que não possuem acesso à educação de qualidade. Desde a sua origem, já oferecemos mais 450 bolsas”, disse.   

 

Assista a mesa redonda 1 na íntegra  

 

Novas tecnologias de ensino e aprendizagem  

 

Segundo tema do dia, novas metodologias de ensino e aprendizagem trouxeram ao Moinho os representantes da escola HUB, Thiago, Almeida, da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde – Suprema, Djalma Ricardo, do Colégio Sarah Dawsey, Bernardo Lagermann, e da Escola Municipal José Calil Ahouagi, Marcos Adriano. “Um novo método exige mudanças na avaliação, na organização do espaço físico, nos materiais didáticos, na formação docente. E o sucesso na implementação de novos métodos está mais relacionado com uma visão sistemática do que com a qualidade do método em si”, afirmou o fundador e diretor executivo e acadêmico da Escola HUB.  

 

Já o diretor executivo do Sarah Dawsey explicou que a proposta pedagógica do colégio é viabilizar um processo educativo mais significativo, despertando nos alunos uma aprendizagem participativa, com ênfase na reflexão e na construção sistemática. Esta também foi a ênfase do diretor de Ensino, Pesquisa e Extensão da Suprema, Djalma Ricardo que abordou a aprendizagem baseada no significado e em problema (articulação interdisciplinar). 

 

Criar experiências de aprendizagens que possam ser realizadas em um determinado período de tempo e depois serem socializadas com toda a comunidade escolar é uma das diretrizes da Escola Municipal José Calil Ahouagi.  De acordo com o diretor Marcos Adriano o objetivo é proporcionar aos alunos possibilidades de escolha em torno daquilo que eles pretendem aprender, a partir de propostas apresentadas pelo grupo de professores.    

 

Assista a mesa redonda 2 na íntegra 

 

O desafio de transformar informação em conhecimento 

 

O reitor do Centro Universitário da Estácio de Sá, Ricardo Bianchi, o diretor do IESPE /EnsinE, Walbert Vianna, e a professora titular de História do Brasil do Departamento e Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Mônica Ribeiro, foram os convidados da mesa redonda que discutiu o Capital humano e a Sociedade do Conhecimento.  

 

“Sociedades fazem uso das tecnologias de informação e comunicação (TICs) como ferramenta de transferência de conhecimento. O melhor exemplo disso no mundo é a Internet, baseada no uso compartilhado de recursos, na construção coletiva de conhecimento, na interação livre de restrições de espaço e tempo e, na valorização do direito à informação”, observou Mônica Ribeiro.  

 

“Sou de uma geração em que tínhamos tempo para fazer a evolução, mas de alguma forma fomos atropelados, e, hoje, um jovem tem em suas mãos um poder de informação que antes era inimaginável. Infelizmente, não conseguimos transformar e canalizar toda essa informação em conhecimento”, completou o reitor da Estácio, Ricardo Bianchi. Ao concordar com a observação, Walbert Vianna falou sobre os desafios que empresários da Educação enfrentam para resolver esse dilema.  

 

Assista a mesa redonda 3 na íntegra 

 

As dez competências da BNCC 

 

Para finalizar as mesas redondas, o tema Competências do Século XXI foi debatido pelos representantes do Cave, Lawrence Gomes, do Instituto Federal Sudeste, Adriano Reder, e da escola Saci, Luciana Ribeiro. O Secretário de Desenvolvimento Sustentável, Inovação e Competitividade da Prefeitura de Juiz de Fora, Ignácio Delgado, foi o mediador.  

 

Luciana falou sobre as dez competências gerais, segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que são conhecimento, pensamento científico, crítico e criativo, repertório cultural, comunicação, cultura digital, trabalho e projeto de vida, argumentação, autoconhecimento e autocuidado, empatia e cooperação e responsabilidade e cidadania.  

 

Ao apresentar o IF Sudeste, Adriano abordou os pressupostos pedagógicos utilizados nos cursos técnicos, de graduação e pós-graduação (especialização), enquanto Lawrence contou a história do curso universitário e falou sobre o desafio de abrir turmas do Ensino Fundamental. “Conseguimos enxergar uma possibilidade diferente. Sair do conteudismo e dar significado ao aprendizado do aluno”.  

 

Assista a mesa redonda 4 na íntegra 

 

Especialistas discutem desafios da saúde no primeiro dia do Festival de Inovação Social

 

Especialistas discutem desafios da saúde no primeiro dia do Festival de Inovação Social O primeiro dia do Festival de Inovação Social de Juiz de Fora realizado pelo Moinho em parceria com a Prefeitura de Juiz de Fora com o objetivo de incentivar o desenvolvimento urbano sustentável reuniu especialistas da Saúde que discutiram sobre o cenário atual e as perspectivas de futuro para o sistema na cidade e na Zona da Mata. 

 

O painel “Boas Práticas no Brasil” contou com a participação do fundador da Fourge (Porto Alegre – RS), Luciano Mantelli, e do Diretor de Operações da Rede Mater Dei de Saúde (Belo Horioznte – MG), José Henrique Salvador. “Me incomodava muito quando alguém dizia que cultura não se muda rápido. Esse era o principal motivo para isso não acontecer. Essa desculpa se transforma no grande peso para que não haja mudança”, observou Luciano, ao se referir ao que mais ouvia dentro as organizações.  

 

“Boas práticas é tudo aquilo que conseguimos fazer virar prática. Na consultoria, passamos a falar que cultura muda de um dia para o outro. Basta querer. Isso não significa que vai mudar tudo no mesmo dia, mas significa que você muda a seta para cima e o nível de resposta é outro. Eu acredito muito que cultura não é uma matéria, não podemos colocar mudança de cultura em uma caixinha separado de resultado, processo, modelo. A cultura precisa ser algo que a gente instiga, a partir do momento que a começamos a trabalhar as matérias”, acrescentou Luciano.  

 

“Redesenhamos os nossos valores e um deles é inovação e pioneirismo. E uma atividade que trabalhamos com muita força é a habilidade de entender que as pessoas têm que errar, corrigir rápido os seus erros, mas que precisam experimentar. O que a gente tem tentado é diminuir a punição ao erro, e fazer com as pessoas possam efetivamente experimentar dentro das suas áreas”, completou José Henrique Salvador. 

 

Durante a apresentação, os dois painelistas destacaram a importância do autocuidado como a melhor estratégia para assegurar melhores resultados em Saúde. “No Brasil tem mais gente com plano de academia do que com plano de saúde. Isso só mostra que a discussão não pode ser entre hospital e operadora. Não colocamos academia e plano de saúde nessa conta, porque estamos falando de um modelo em que práticas de cuidado têm a ver com esporte, nutrição, autocuidado apoiado. Somos enganados em pensar que cuidar da doença é seguro. Quando falamos em saúde, estamos olhando para as coisas erradas. A saúde não está em cuidar somente da doença”, afirmou Luciano.

  

Assista o painel na íntegra 

 

Tarde foi marcada pelo compartilhamento   

 

Para debater o tema “O sistema de saúde em Juiz de Fora”, foram convidados o economista da Ultrimagem, Anderson Mattozinhos, a médica e diretora da Unimed Juiz de Fora, Nathércia Abrão, e o subsecretário de Planejamento da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora, Leonardo Azevedo. 

 

“Juiz de Fora não é uma cidade deficiente no ponto de vista de equipamento de saúde, muito pelo contrário, é uma cidade altamente resolutiva, com tecnologia de ponta, mas que ainda falta integrar todo o aparelho privado ao público. Nós somos uma empresa 100% privada, mas talvez sejamos uns dos poucos na cidade que tenha interface com a parte pública. Estamos presentes dentro de um hospital filantrópico que atende ao Sistema Único de Saúde”, observou Anderson. “Por estarmos em duas realidades diferentes, conseguimos ter uma visão distinta de como o sistema de saúde funciona. O cenário econômico especifico é muito desafiador. Por isso, talvez seja uma das principais relevâncias desse evento”.  

 

Para o subsecretário de Planejamento da Secretaria de Saúde, Leonardo Azevedo, o Festival de Inovação conversa muito com o esforço que a Prefeitura tem feito, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo, da Inovação e Competitividade (SEDIC), comandada pelo secretário Ignacio Delgado, na criação do grupo de trabalho denominado Missão Saúde.  

 

Ele abordou o conceito de cidade sustentável e os pilares para sua construção, assim como apresentou as prioridades da gestão municipal baseadas no Fortalecimento da Atenção Primária; Ações e políticas de promoção em Saúde; Planejamento ascendente e participativo; Informatização e modernização da gestão e Melhor organização e qualificação da rede contratualizada.  

 

Diretora de Provimento e Saúde da Unimed Juiz de Fora, Nathércia Abrão destacou o momento atual na saúde e falou sobre o ecossistema desenvolvido pela cooperativa. “Nós queremos uma atenção integral de saúde, e para isso o mais importante é a coordenação do cuidado e a linearidade das ações”, pontuou.  

 

Assista a mesa na íntegra 

 

Acesso qualificado para a população é tendência 

 

Tendências para o setor foi outro tema debatido no primeiro dia do Festival com a participação do diretor presidente do Hospital Albert Sabin, Célio Chagas, do diretor na Policonsultas, João Paulo Ghedim, e do professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Renato Nunes.  

 

“Gostaria de dizer que tendência é um assunto extremamente amplo, mas que tem algumas premissas interessantes. O sistema de saúde necessita cada vez mais ser integrado, sustentável, com acesso qualificado à população. Se tivermos esse conjunto funcionando, o grande beneficiado será o paciente”, disse Célio Chagas.  

 

Com a oferta de consultas em várias especialidades médicas e exames a preços mais acessíveis para a população, a Policonsultas não se propõe a substituir o plano de saúde, pois não oferece serviços de internação hospitalar, explicou João Paulo Ghedim. “Mas para um nível ambulatorial é um serviço de qualidade com baixo custo pois dispensa o pagamento de mensalidade, sem custo fixo para o usuário.  

 

Representante da UFJF, Renato Nunes falou sobre nutrição e contou que se especializou no acolhimento e no entendimento de gente. “Quando falamos em tecnologia e inovação, temos que pensar em pessoas. A nutrição é a mãe de todas as ciências da saúde, porque sem ela nenhuma outra funciona. Vivemos em um mundo tão tecnológico, que o ser humano ainda não entendeu que a base é alimentar”, disse, citando exemplos de como uma boa alimentação é primordial para a boa saúde.   

 

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Tecnologia para atender mais pessoas 

 

Tecnologia e Inovação em saúde também estiveram em pauta. Os convidados para essa mesa foram o representante da empresa MaisLaudo, Antônio Miranda, o médico Gustavo Ramalho, representando o Hospital Monte Sinai, e Celso Moraes, da Fadepe/UFJF.  A MaisLaudo emite laudos médicos a distância, utilizando plataforma web. A tecnologia é usada como base de otimização, para que a empresa ofereça seu diferencial. “Atualmente estamos presentes em 1.100 municípios e isso significa levar saúde para lugares que não têm acesso”, argumentou Antônio.  

 

No Hospital Monte Sinai, “temos Inteligência Artificial como auxílio na estruturação de dados, para otimizar processos e balizar a tomada de decisão; Telemedicina como apoio ao diagnóstico e implementação da terapia em síndrome coronariana aguda e Acidente Vascular Encefálico; Medicina Regenerativa: referência em tratamento e pesquisa com Células-Tronco, e impressões 3D para cirurgias minimamente invasivas”, observou Gustavo Ramalho.  

 

Já Celso Moraes explicou que a Universidade Federal de Juiz de Fora é um meio, e por isso tem papel importante e relevante na entrega e no desenvolvimento da inovação e da tecnologia que vão culminar nos interesses da sociedade e no bem-estar social. 

  

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Regionalização pode ser ampliada  

 

Polo regional de saúde, a Zona da Mata foi tema de mesa redonda que reuniu o médico e professor do Hospital Universitário, Dimas Araújo, e o Diretor da Superintendência Regional de Saúde de Juiz de Fora, Renan Guimarães. “Hoje somos referência em atendimento na área da saúde e do ensino, mas podemos melhorar. Pretendemos retomar, no próximo ano, a conclusão do hospital universitário”, disse Dimas.  

Para o diretor da Regional de Saúde, “inovação tem relação com novos serviços, novos processos e uso de novas tecnologias. Além disso, a inovação na saúde é fundamental para a melhoria da qualidade do sistema”.   

 

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Gerente de Desenvolvimento da Fundação Roberto Marinho, Tânia Pimenta participa hoje do Festival de Inovação

Ela destaca a co.liga, escola digital que oferece formação e inclusão para jovens

 

Gerente de Desenvolvimento da Fundação Roberto Marinho, Tânia Pimenta participa hoje do Festival de Inovação A Fundação Roberto Marinho (FRM) foi convidada a participar da primeira edição do Festival da Inovação de Juiz de Fora, evento realizado pelo Moinho, em parceria com a Prefeitura. A gerente de Desenvolvimento da FRM, Tânia Pimenta, vai representar a fundação no Painel – Boas Práticas no Brasil, ao lado do Cláudio Castro, da Fundação Estudar.

 

“Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar o Moinho pela iniciativa de organizar este encontro, onde vamos discutir, entre outros assuntos, os desafios da educação e o desenvolvimento urbano sustentável. Eu vou apresentar ao público a co.liga, uma escola digital que promove cursos on-line e disponibiliza oportunidades na área de economia criativa por meio de uma plataforma digital, conectando jovens, profissionais e empresas de diferentes áreas de atuação”, destaca Tânia.

 

Com acesso gratuito, a escola digital oferece formação e inclusão de jovens em vulnerabilidade social no mercado de trabalho. A co.liga é uma  iniciativa  da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) em parceria com a Fundação Roberto Marinho e mobiliza criadores, produtores de conteúdo, coletivos e empresas de todo o país.

 

São ofertados 38 cursos de curta duração em cinco áreas da economia criativa — Patrimônio, Música, Multimídia, Design e Artes Visuais — e temas transversais, como empreendedorismo, línguas, cidadania e elaboração de projetos culturais. Entre as opções, estão desde fotografia, design para web e roteiro audiovisual até turismo para cidades criativas, passando por produção musical, produção de infográficos e outros.

 

“A nossa intenção ao criarmos a co.liga foi a de oferecer um conteúdo de qualidade e diferenciado, prioritariamente para as juventudes das classes C, D e E. Hoje temos 13.224 estudantes em todo o país”, complementa Tânia. A co.liga se organiza nos eixos de educação, trabalho e comunidade, com materiais educacionais desenvolvidos por profissionais do mercado; tutores para apoiar a formação dos estudantes; oportunidades de trabalho oferecidas por empresas e uma comunidade de co.ligados para trocar ideias. Todos os cursos são online e gratuitos: cada estudante escolhe sua trajetória e acessa quando e onde puder, por celular ou computador, a plataforma coliga.digital.

“Na escassez, a criatividade precisa existir”

Palestrante do 1º Festival de Inovação, Luciano Mantelli fala de suas experiências no sistema de saúde de Juiz de Fora e nas tendências para o setor  

 

Luciano Mantelli

 

Luciano Luis Mantelli nasceu em uma família de agricultores do sul do país e, aos 13 anos mudou-se da pequena localidade no interior do Rio Grande do Sul para estudar em Porto Alegre. Hoje, quando olha para trás, tem certeza que conseguiu realizar muito, mas sua inquietação almeja muito mais. Fundador da Fourge, consultoria que se dedica a ressignificar o olhar sobre as relações humanas e sociais, sejam elas nos níveis pessoais e organizacionais, ele está envolvido há mais de 20 anos em experiências nas áreas de saúde e educação.  

 

Com currículo extenso construído por atuações em várias cidades do país, Luciano não poderia ficar de fora do 1º Festival de Inovação, que será realizado pelo Moinho nos dias 3 e 4 de novembro em parceria com a Prefeitura de Juiz de Fora. Nesta entrevista exclusiva, ele, que conhece bem o sistema de saúde de Juiz de Fora e região, desafia olhares e percepções sobre o desenvolvimento regional.  

  

SAÚDE 

 

Pude conhecer algumas experiências bem legais, principalmente, no que tange a integração do setor público mais próximo ao setor privado. Não é uma integração clara no dia a dia, mas comparando ao que a gente tem no Brasil, acho que existe uma relação bem mais próxima e muito fortalecida pela academia. Juiz de Fora tem alguns movimentos bem interessantes nessa complementariedade que deveria ser a base do sistema da saúde. O que nós esperamos de saúde suplementar versus saúde pública é essa complementariedade de fato. Na cidade, historicamente, já existe uma boa origem nesse plano de complemento. Também acho que um ponto muito forte é fazer com que a academia participe mais ativamente da saúde local. Juiz de Fora tem um bom sistema formador, acadêmico, mas acaba perdendo essas pessoas. Acho que esse é um dos grandes desafios a resolver. Há outro lado positivo mais voltado à essência do cuidado. Uma preocupação quanto à saúde do indivíduo e não somente mercantil. As academias estão muito alinhadas com esse desenvolvimento, menos com foco na especialidade, mais com foco em cuidado. Por mais que o desafio ainda seja longo, ele é bem mais alinhado do que no resto do Brasil a meu ver. É um grande desafio de fazer isso na prática, porque há rotatividade maior dos profissionais e também uma deficiência quando falamos do aparelho privado, empresas, indústrias mais próximas sustentando isso. Há um desafio muito grande em manter o sistema curador, hospitalar ainda tido como peça fundamental do sistema de saúde de Juiz de Fora. Ele é sim, extremamente importante. Porém, já estamos no momento em que precisa ser visto como especialista e não como base de cuidado. Esse é um grande desafio quando olho para a saúde local apesar dos vários pontos positivos.  

 

TENDÊNCIAS 

 

Eu posso dizer que eu tenho um lado muito otimista e um lado meio magoado, digamos assim. Viemos de um movimento muito claro, falando sobre necessidades do futuro da saúde, talvez um pouco alienado do ponto de vista prático antes da pandemia. Ela trouxe um ponteiro na realidade. Por vezes, estávamos falando mais sobre tendências e necessidades de mudança em eventos de transformação do que se dava na prática, na ponta. A pandemia botou luz onde a maturidade realmente estava. Durante esses dois anos, muito se falou na aceleração, principalmente, a partir da tecnologia que a pandemia nos obrigou a usar. Mas também acho que não foi uma aceleração, mas simplesmente a constatação da sua importância. Vejo hoje, infelizmente, muitos passos voltando, que é uma questão estruturante de defesa do mercado. Quando a crise vira financeira, a gente se transforma naquilo que somos de verdade, mostra a garra daquilo que mais nos segura ao chão. As pessoas estão mostrando as garrinhas, aquilo na qual se seguraram até agora. Nunca se teve tanta clareza sobre qual é o grande desafio da saúde no curto prazo. A gente tem uma tendência muito clara de transformação, a partir do consumidor de saúde, não do doente, não do paciente, não daquela pessoa que está exclusivamente com necessidade de cuidado. Acho que se criou uma concepção maior das nossas necessidades, do que efetivamente queremos daqui para frente. Como cidadãos, temos clareza maior do que efetivamente é saúde e o quanto nosso sistema é escasso.  

 

CRISE E CRIATIVIDADE 

 

Há uma tendência de aceleração, como outros diversos mercados, que vem a partir do clamor do cliente. Por outro lado, também acho que a gente vive uma tendência muito clara de escassez, porque há uma crise que não é mais sanitária. É uma crise que é econômica e, ao mesmo tempo, de inflação, de custo em saúde. É doido isso, porque não é novidade. Essa conta não fecha há muito tempo. Só que agora ela não fecha junto a várias outras e, por isso, temos uma escassez ainda maior. Na zona de futuro, a preocupação muito clara é sobre quem vai conseguir se sustentar para fazer essa transformação. Estou um pouco otimista nesta virada de ano, no pós-Covid na prática. Mas há uma questão política muito polarizada que foca pouco em resultado. Vamos ter que cair na real, e que, em 2023, façamos algumas mudanças. Na escassez, a criatividade precisa existir. Enquanto está sobrando dinheiro, a gente gasta o que não deveria. Por isso, ainda acredito muito nesse cenário que nos torna mais competitivos, inclusive do ponto de vista de criatividade. Não posso te dizer que a gente vira mais colaborativo, porque não acho que seja a nossa realidade ainda. Acho que a gente até se distanciou um pouco mais disso, mas, pelo menos na competitividade, a possibilidade de criação é maior a partir da escassez. Acredito em um cenário de transformação mais acelerado daqui para frente.  

 

TECNOLOGIA 

 

Falar de tecnologia hoje é falar de algo que a gente tem que comer igual feijão e arroz. Não consigo pensar nisso separado. Tecnologia é sustentabilidade dos negócios e não mais algo que inova somente. Trazer a tecnologia para a saúde é sinônimo de sustentabilidade, escalabilidade, acesso. Precisamos da tecnologia para resolver desafios exponenciais, de maneira que não nos restrinjam mais ao atendimento físico e analógico. O digital é peça fundamental para isso. Daí porque investir em tecnologias é ainda mais imprescindível. Também acredito que seja outro momento de uso de tecnologia. A gente tem que ter consciência de que ela não é mais pioneirismo. Penso em tecnologias diversas, inclusive tecnologia de cuidado em saúde, acadêmica. Falar de uma academia que não tem mais tempo para sofrer os ajustes que acontecerão linearmente daqui para frente. Ela precisa de algumas disrupções mais objetivas, vindas pela própria tecnologia. Não se admite mais que a gente tenha um modelo de educação, por exemplo, totalmente voltado a passar informação e que ainda converge ou discute com experiência prática, por exemplo. A tecnologia, na sua amplitude, que não só digital, precisa ser vista como base. Como é que seremos capazes de explorar 70% de tecnologias que estão disponíveis no mundo para usar efetivamente em negócios? Esse número é incrivelmente verdadeiro. Usamos apenas 30% do que criamos. Precisamos pensar em como melhorar os negócios a partir dela. Inovação é o assunto do momento, mas não aquela do post-it, dentro de uma salinha em que as pessoas fingem que estão em Gramado, onde todo mundo para na faixa de segurança, por exemplo.  

 

INOVAÇÃO 

 

A inovação que a gente precisa agora é transversal aos negócios e às matérias que estamos trabalhando, para resolver problemas no dia a dia de fato. Não pode mais ser vista como tema de evento, como um workshop. É matéria de futuro, de gestão. Para mim, hoje, só faz sentido falar de inovação como matéria comum, sabendo que ela tem capacidade de acelerar esse processo. A inovação em saúde tem o mesmo passo da inovação na educação. Não podemos mais falar do que não for projeto real. Na escola Hub, por exemplo, os alunos aprendem a partir de um campo de interesse. É um modelo de aprendizagem que propõe um entendimento maior do que percebem de conteúdo. Escuto, dentro das várias empresas onde atuo, que a saúde só vai mudar quando mudar a educação. Fico bravo, mas, ao mesmo tempo, reconheço que é hora de mudar a educação. Hora de mudá-la junto com nossa percepção. As pessoas deram conta que só com cura não fazemos saúde. Se na educação a prova remete a um falso nível de conhecimento, o check-up em saúde remete a um falso garantidor, sobretudo na segurança. Saúde precisa fazer parte do nosso hábito diário.  

 

POLO REGIONAL DE SAÚDE  

 

Tenho um campo crítico para realidade. A gente fala sobre um polo e eu não vejo isso na Zona da Mata ainda. Vejo várias iniciativas separadas com um total potencial para existir como polo. Uma zona que tem como característica inclusive a saúde como uma de suas referências de conhecimento, de empreendedorismo. Sempre me falam que é uma zona, mas na prática tem municípios separados. Acho que tem um grande potencial para se transformar em polo, mas é preciso que algumas casinhas ou caixinhas caiam, para que haja essa potência que só é possível quando iniciativas se juntam para criar mudanças. 

Moinho realiza a primeira edição do Festival de Inovação

Evento terá palestras magnas com especialistas nacionais, a exemplo do diretor de operações da Rede Mater Dei, Herique Salvador

 

Construção do MoinhoO Dia Mundial das Cidades (31 de outubro) é o mote que inspira a primeira edição do Festival da Inovação de Juiz de Fora, evento que o Moinho realizará, nos dias 3 e 4 de novembro, em parceria com a Prefeitura. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a data mundial visa sensibilizar a comunidade internacional para a urbanização global, assim como fomentar a cooperação para enfrentar seus desafios, incentivando o desenvolvimento urbano sustentável.   

 

Não é por menos que Educação e Saúde são as temáticas em debate durante o Festival. A escolha está baseada no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades do Brasil que aponta grandes desafios em Juiz de Fora no tocante a esses dois pilares. “Sem contar a interface que o Moinho tem com essas áreas, que estão relacionadas à melhoria da qualidade de vida das pessoas, além de incorrerem indiretamente na melhoria da qualidade de vida das pessoas”, explica o Gestor do Hub de Inovação do Moinho, Arthur Avelar. 

 

Nos dois dias do evento serão realizadas mesas redondas sobre “A Educação Básica em Juiz de Fora”; “Novas metodologias de ensino e aprendizagem”; “Capital humano e a Sociedade do Conhecimento”; “Competências para o Século XXI”; “O sistema de saúde em Juiz de Fora”; “Tendências para o setor de Saúde”; “Tecnologia e Inovação” e, por fim, “Zona da Mata: pólo regional de saúde”.  

 

As meses redondas serão sucedidas de palestra magna com especialistas nacionais, como o diretor de operações da Rede Mater Dei, Herique Salvador.  

 

Ações do Festival mobilizam alunos de escolas municipais da Zona Norte  

 

Dentre as ações que antecedem a realização do Festival de Inovação de Juiz de Fora, está a parceria formalizada entre o Moinho e o coletivo Manifesta, especializado em potencializar relações humanas, para desenvolver dois projetos, tendo estudantes de escolas públicas da Zona Norte como protagonistas na criação de soluções para desafios da Educação e da Saúde. 

 

São 30 alunos, sendo 15 da Escola Municipal Engenheiro André Rebouças, e outros 15 da Escola Municipal Antônio Carlos Fagundes, entre 12 e 16 anos, que estão sendo estimulados a refletir e a criar soluções, a partir da identificação de problemas que vivenciam no dia a dia, por meio de visão crítica. “É um trabalho de facilitação, que vem sendo realizado há três meses, para ouvir os adolescentes e levá-lo a compreender que podem ser protagonistas na transformação das suas respectivas realidades”, finaliza Arthur Avelar.  

 

Para saber mais sobre o projeto com o Manifesta, clique aqui (https://www.nossomoinho.com/educacao/projeto-com-adolescentes-de-escolas-da-zona-norte-busca-solucoes-para-a-educacao-e-a-saude/ ) 

 

Programação completa:  

 

Dia 3 – Saúde:  

 

9h: Abertura  

 

10h: Minha Zona Norte juventudes e o mundo do trabalho  

 

14h: Mesa redonda: O sistema de saúde em Juiz de Fora (Unimed, Ultraimagem e Secretaria da Saúde) 

 

Mesa Redonda: Tendências para o setor (Albert Sabin, Policonsultas e UFJF) 

 

16h: Mesa Redonda: Tecnologia e Inovação (MaisLaudo, Montec Sinai e UFJF) 

 

Mesa Redonda: Zona da Mata, pólo regional de saúde (HU e  Superintendência Regional) 

 

18h30: Café 

 

19h: Painel (Mater Dei, Grupo Afya e FOURGE) 

 

21h: Confraternização  

 

Dia 4 – Educação:  

 

9h: Abertura  

 

10h: Minha Zona Norte juventudes e o mundo do trabalho  

 

14h: Mesa redonda: A Educação Básica em Juiz de Fora (Apogeu, Instituto Amargen e Secretaria de Educação) 

 

Mesa Redonda: Novas metodologias de ensino e aprendizagem (Escola Hub, Sarah Dawsey e Suprema) 

 

16h: Mesa Redonda: Capital humano e a Sociedade do Conhecimento (Estácio, IESPE e UFJF) 

 

Mesa Redonda: Competências do Século XXI (CAVE, IF Sudeste e Saci) 

 

18h30: Café 

 

19h: Painel (Grupo Anga, co.liga e Instituto Natura) 

 

21h: Confraternização