Coletivo Pedagogia Para Liberdade quer transformar a educação de base no Brasil

Educação, coletivo, periferia, missão, Zona Norte, paixão, ações afirmativas, propósito de vida. Todas essas palavras se articulam e se conectam perfeitamente no discurso da empresária Daniela Benício que acaba de instalar, no Moinho, a sede do coletivo de educadores Pedagogia para Liberdade. Grupo que, há sete anos, está transformando a educação brasileira, atuando diretamente na formação de professores, sobretudo, de escolas públicas, com núcleos em Juiz de Fora, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Nesta entrevista, Dani Benício, como prefere ser chamada, fala do salto que estão dando com a criação da faculdade Somas, da necessidade de decolonizar a educação e de como as periferias são, de fato, as grandes protagonistas do processo de inclusão e transformação social. “Estar no Moinho me faz sentir extremamente coerente com o discurso da Pedagogia para Liberdade”, diz. “É uma reparação cultural que estamos fazendo”. 

Coletivo Pedagogia Para Liberdade quer transformar a educação de base no Brasil   

 

Moinho – O que é a Pedagogia Para Liberdade? 

Daniela Benício – “É um projeto coletivo que tem como missão transformar a educação de base no Brasil, formando professores que tenham amor por educação, amor pela infância, para que a gente possa repensar metodologias educacionais. Ela nasceu de uma dor pessoal em relação à formação e aos conteúdos educacionais e de um olhar para os meus filhos, para as infâncias, para tudo aquilo que a gente sente que precisa mudar. Começamos a botar a mão na massa, a juntar professores do Brasil inteiro – a maioria de escola pública -, que estão transformando a educação no Brasil. Pessoas incríveis que valorizam a cultura popular brasileira, nossa matriz cultural, ou seja, as questões étnico-raciais, de indígenas e negros. A cultura legitimamente brasileira, assim como também questões relacionadas ao meio ambiente na forma da gente se reconectar com a natureza. Há um déficit nesta relação com as infâncias, com as crianças, com os adultos, com os seres humanos. É um processo de educação que pensa em tudo isso, além da inclusão em vários aspectos, não só em relação às limitações físicas ou questões de direitos enfim, mas também a inclusão de seres humanos diferentes, porque todos nós somos diferentes. A gente trabalha também a educação para igualdade de gênero. É muita coisa. Muita coisa nasce daí.  

 

– Há quanto tempo realizam este trabalho? 

Existimos há sete anos e a pandemia fez a gente se reinventar. Começamos em Juiz de Fora, mas já estamos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília. A necessidade do distanciamento social quebrou para sempre o paradigma da educação. Os adultos não querem voltar para o presencial. Conciliamos esse lugar do ensino a distância com imersões de experiências pessoais e coletivas. Todo mundo no mesmo espaço, convivendo junto e desenvolvendo experiências impactantes. A Pedagogia Para Liberdade é uma licenciatura em Pedagogia. É destinada a qualquer pessoa que já tenha um diploma e que entenda a educação como uma forma de mudar o mundo. Além disso, a gente tem várias pós-graduações, como a de Educação Sistêmica, que olha para a floresta, para a nossa reconexão com esse mundo e para os modelos de design institucionais. Temos uma pós-graduação em Comida, Cultura e as Infâncias que é sensacional. Uma das professoras é a Bela Gil, que estará, inclusive, nas nossas interações. Comida é cultura, e de que forma a gente pensa a cultura a partir dela? Quais são as influências da alimentação que temos no Brasil e como trabalhamos isso? Não é uma pós-graduação que vai falar da qualidade da comida, mas sobre a história da comida. Temos também uma pós-graduação de Corpo e Educação que trabalha com fluidos corporais e o desenvolvimento corporal desde a infância. Há ainda a pós em Relações Étnico-raciais que é a nossa queridinha por tratar de um tema tão importante. Isso perpassa não só a matriz africana, mas a indígena também, assim como tudo o que implica nas formas de violência, na educação antirracista de verdade, no modo como os brancos podem ser antirracistas. Crianças nascem sem preconceito. As escolas, infelizmente, têm reforçado o preconceito e o racismo. É urgente desconstruir esse tipo de educação. Outra pós-graduação que oferecemos é para Igualdade de Gênero com discussão sobre masculinidades e todas as diferenças que existem hoje no mundo. É um tema super polêmico e também super necessário.  

 

– O que é a Somas e o que o Moinho tem a ver com ela?  

A gente está dando um grande salto aqui no Moinho. Estamos fundando a nossa faculdade, que é a Somas. Uma palavra no feminino com uma infinidade de coisas que cabem dentro dela, porque somos a soma de tantas coisas e estamos sempre somando elementos na nossa vida. A faculdade está nascendo nesse contexto do Moinho que tem tudo a ver com aquilo que a gente acredita, com aquilo que a gente vê que o mundo precisa. É muito bacana, inclusive estar na periferia, porque alicerça muito dos nossos valores. A gente quebra paradigmas e acrescenta outros desafios, coisas impensáveis. Vamos começar com três cursos: Pedagogia, Administração e Desenvolvimento e Análise de Sistemas. O curso de Administração é fora da caixa com reflexão sobre pensamento integral e institucional, meio ambiente, questões socioambientais, responsabilidade social, diversidade, papel da mulher. Enfim, uma administração do século 21. É uma proposta bem inovadora, que fala de empreendedorismo, dialogando muito com os jovens de hoje. O curso de Desenvolvimento e Análise de Sistemas está diretamente ligado à inovação, às profissões do futuro e à tecnologia. Os cursos de Pedagogia e Administração têm quatro anos de duração e o de Desenvolvimento e Análise de Sistemas dois anos. A Somas está sediada em Juiz de Fora, mas vamos atuar no Brasil inteiro com interações, experiências presenciais e uma série de workshops no Moinho, para aproveitar essa estrutura maravilhosa, e em outros polos parceiros.  

 

– Em que fase de constituição está a Somas? 

Estamos cuidando da parte das legalidades, adentrando no sistema do Ministério da Educação (MEC). É um processo moroso, porque depende de órgão público. Todo trâmite deve levar de oito meses a um ano. Então, a gente acredita que, em meados de 2024, a Somas estará 100% atuante. Enquanto isso, seguimos com uma série de projetos da Pedagogia para Liberdade, que será a entidade mantenedora. Estamos ocupando uma sala no coworking do Moinho, mas vamos ampliar nosso espaço físico também para as estações de trabalho individuais. Temos o projeto de construir uma biblioteca no quinto andar, além de utilizar o espaço multiuso e o auditório. A médio prazo, vamos montar um laboratório de informática com cerca de 30 computadores. Tenho o desejo de promover atividades com a comunidade, com quem está no entorno, para qualificar os meninos, as meninas, os jovens em programação e em outras áreas que dizem respeito à tecnologia, à vida. Com certeza, daqui vão nascer vários projetos coletivos e encontros e experiências compartilhadas. Não tenho dúvida disso.  

 

– Quantos professores já passaram pela Pedagogia Para Liberdade? 

Na verdade, na casa de milhares. Graças a Deus, a gente faz um trabalho muito bonito, de profundidade. São muitas pessoas que estão impactando a educação no Brasil inteiro, nas redes públicas. Pessoas que fundaram escolas, que têm uma pegada de inovação social, de inclusão, diversidade, ou seja, tudo aquilo que a educação precisa: respeito à infância, ao meio ambiente. Nosso grupo de educadores está espalhado pelo país. Esse é um ganho enorme de diversidade. Nosso sonho é realmente chegar, fisicamente, ao Nordeste, ao Norte, (temos alunos lá), porque são regiões ricas em diversidade cultural, inovação, criatividade. 

 

– Quais as estratégias de políticas afirmativas que adotam? 

Hoje a gente tem o sistema de cotas de ações afirmativas. Temos cotas para negros, indígenas e pessoas trans. A gente acredita que a educação precisa dessas pessoas inseridas para ter diversidade na real. São várias políticas de incentivo. Em alguns cursos, privilegiamos pessoas de escola pública. A gente trabalha com pessoas que têm vocação para serem educadores, que estão realizando um propósito na vida. São pessoas que escolheram o caminho da educação, porque acreditam que é uma forma de mudar o mundo. Muitos estão fazendo migração de carreira. Tem que ter muita coragem para isso. Não temos uma educação verdadeiramente brasileira. Ela é muito colonizada. Estamos repetindo o mesmo sistema que não funciona há 50 anos. A gente tem luzes de inovação, mas inovação nem sempre implica em laboratório de informática, de robótica. A educação se dá na singularidade do ser humano. A inovação está exatamente no processo de aprendizagem, na relação do educando com o educador, na conexão com a natureza.  

 

– O que é estar na periferia, na Zona Norte de Juiz de Fora? 

Quando mudei para Juiz de Fora, há 17 anos, montei uma escola em Benfica com a oferta de cursos técnicos. Tinha uma infraestrutura maravilhosa, porque acreditava que a educação precisava ir aonde as pessoas estavam, quebrando o paradigma da centralidade. Percebi um déficit de transporte público na cidade muito sério, porque não temos um terminal de ônibus urbano, o que encarece o custo. Esta é uma pauta que a Zona Norte precisa defender para o transporte público. Fiz muitos trabalhos com as escolas públicas da região. Entendo que a educação inclusiva está na periferia, onde a maioria da população vive e onde a cultura popular acontece. A cultura periférica é a cultura brasileira. Isso é super potente, super importante. Traz uma energia de legitimidade, de estar no lugar certo, no lugar que possa gerar desenvolvimento. A periferia precisa que as pessoas acreditem nela. Precisamos contar outras histórias da Zona Norte que não sejam as de violência. Tem muitas histórias bonitas na periferia. Isso é colocar o eixo onde sempre deveria estar. É uma reparação cultural que estamos fazendo. Estou muito feliz. Estar no Moinho me faz sentir extremamente coerente com o discurso da Pedagogia para Liberdade. 

 

 

Conheça a Pedagogia Para Liberdade 

www.pedagogiaparaliberdade.com 

Escola de Música Dubdogz abre novas turma e oferece aulas de DJ e violão

Dubdogz inaugura escola de música no Moinho para crianças e adolescentes da Zona NorteA Escola de Música Dubdogz está com vagas abertas para cursos gratuitos de violão e DJ, sendo 8 para o primeiro e 10 vagas para o segundo. Alunos de 12 a 17 anos matriculados na rede pública de ensino podem se inscrever através deste formulário e comparecer no dia e horário das aulas. 

 

São considerados como critérios prioritários para a seleção, o fato do candidato estar matriculado em escola pública, ter frequência regular e demonstrar interesse em participar da formação As aulas são ministradas no Moinho, às segundas, das 14h às 16h (aulas de DJ), e às terças, das 15h às 16h (aulas de violão). 

 

A Escola de Música Dubdogz é mantida por meio de doação do Dubdogz – dupla de DJs formada pelos irmãos gêmeos Marcos Ruback Schmidt e Lucas Ruback Schmidt. “Nosso objetivo é ajudar na inclusão social, ampliar o acesso à música e incentivar a cultura. Esse é o nosso propósito”, afirma Lucas Schmidt. 

 

As atividades no Moinho começaram em setembro passado e já beneficia adolescentes com aulas de canto coral e de flauta. Com o objetivo de democratizar o acesso à música, incentivar a formação de músicos e promover o resgate da cidadania, a escola visa desenvolver talentos e proporcionar mais inclusão de crianças e adolescentes que têm pouco ou nenhum acesso a atividades musicais.  

 

A oferta de aulas de DJ é uma realização de um desejo antigo dos irmãos. “Sempre sonhamos em dar aulas de DJ, desde quando pensamos em abrir a escola e, claro, de violão também – um instrumento muito importante pra termos na escola. Fizemos agora a compra dos violões e esperamos que seja um sucesso”, revela Marcos.  

 

Com metodologia pedagógico-musical de educadores como Dalcroze, Kodály, Suzuki, entre outros, a escola conta com a coordenação pedagógica da maestrina e mestre em Musicologia, Patrícia Guimarães. Para as oficinas de atividades musicais e canto, conta com a contribuição de professores renomados com prática didática para o acompanhamento dos alunos.   

Além das novas turmas de DJ e violão, as aulas de coral também estão com vagas disponíveis. Interessados devem comparecer na segunda-feira, às 9h30.

Projeto com adolescentes de escolas da Zona Norte busca soluções para a Educação e a Saúde

ManifestaNão foram só os olhares atentos e curiosos de alunos da Escola Municipal Engenheiro André Rebouças, na Zona Norte de Juiz de Fora, que impressionaram, mas sobretudo o entusiasmo em falar sobre o projeto de inovação social que participam, desenvolvido pelo Moinho em parceria com o coletivo Manifesta. Organizados em grupo, 15 adolescentes, entre 12 e 16 anos, estão sendo estimulados a refletir sobre Educação e a criar soluções a partir da identificação de problemas que vivenciam no dia a dia, por meio de visão crítica da realidade.  

 

“Participar desse projeto está sendo da hora. Estou aprendendo a confiar mais nas pessoas”, diz a aluna Mariana Toretti, de 14 anos, ao resumir sua experiência na Jornada de Desenvolvimento de Jovens, coordenada pelo Manifesta. O projeto é uma das ações do primeiro Festival de Inovação Social de Juiz de Fora, fruto de parceria entre o Moinho e a Prefeitura de Juiz de Fora, que será realizado nos dias 3 e 4 de novembro. Ao todo, são 30 alunos do oitavo e do nono anos do Ensino Fundamental envolvidos na experiência, sendo 15 da Escola Municipal Engenheiro André Rebouças, que estão focados em soluções para a Educação, e outros 15 da Escola Municipal Antônio Carlos Fagundes que discutem propostas para a Saúde.  

 

Feliz por ter encontrado, por meio da jornada, um espaço de acolhimento para manifestar suas opiniões, a aluna Camille Vitória, de 12 anos, é exemplo da confiança que a iniciativa busca despertar entre os integrantes do grupo. Afinal, ela é a base para que os adolescentes possam se expressar com mais liberdade e, assim, alcançarem respostas para os desafios da Educação que vivem no ambiente escolar. A experiência da aluna Yasmin Ferreira, de 14 anos, também reforça a importância do acolhimento e da identificação com pessoas que compartilham da mesma opinião. No trabalho em grupo proposto pelo Manifesta, ela se sente cada vez mais confortável para falar sobre suas próprias vivências. 

 

Facilitadora do coletivo, Beatriz Galil explica que esta é justamente a proposta pedagógica do projeto que coloca os alunos no centro do processo de aprendizagem. Isso significa incluí-los na identificação e na solução de problemas, trazendo a aplicação para sua realidade. “Princípios e metodologias proporcionam um ambiente de aprendizado onde eles se sentem parte e protagonistas do seu caminho”, observa.  

 

Prova do resultado prático da proposta também está no depoimento do aluno Luiz Felipe Ferreira, de 16 anos. “Estou aprendendo a ouvir e ser ouvido, a entender o sentimento de outras pessoas. Fico feliz em saber como me comportar no mundo e também a entender como é o mundo lá fora, que é maravilhoso”, diz. “Toda essa jornada tem como pano de fundo o desenvolvimento e o espaço de reflexão para o aluno, onde ele pode se apropriar, de fato, desses mecanismos críticos”, acrescenta o cofundador do Manifesta, Marcos Pereira. Iniciado em agosto, o projeto tem duração de três meses. São dois encontros presenciais por mês com os alunos de cada escola, totalizando doze encontros. 

 

Iniciativa chega na hora mais propícia 

 

As soluções encontradas pelos grupos de alunos das duas escolas municipais, assim como o caminho que fizeram para chegar até elas, serão apresentadas durante o Festival de Inovação Social.  Para a diretora da Escola Municipal Engenheiro André Rebouças, Adriana Pires, o momento não poderia ser mais adequado para a oferta da jornada de desenvolvimento na escola. 

 

“A ação do grupo chegou em um momento muito importante, em que estamos observando entre os adolescentes dificuldades de convivência. A metodologia faz com que se sintam muito à vontade para expor questões que os afligem e a refletirem sobre seu comportamento. Está sendo muito importante pra escola recebê-los aqui, com esse apoio, de uma forma tão jovem, comprometida e responsável”, avalia.  

 

“Estou achando divertido e legal. Poder expressar o que a gente pensa e sentir que os outros estão concordando também é muito bom. A gente sente mais confiança nos professores. Sei que isso que a gente fala aqui eles não vão contar pra ninguém. Nossa opinião importa. Poucas vezes podemos falar pra alguém o que a gente realmente sente”, finaliza a aluna Camila Rosa Vianna, do alto de seus 12 anos de idade. 

 

Para saber mais sobre o projeto, clique aqui. 

Dubdogz inaugura escola de música no Moinho para crianças e adolescentes da Zona Norte

Dubdogz inaugura escola de música no Moinho para crianças e adolescentes da Zona Norte Os DJ’s gêmeos Lucas e Marcos Schmidt estão à frente da iniciativa que oferece aulas gratuitas de canto coral e flauta. Inscrições podem ser feitas pela internet 

   

Com dez anos de carreira, a dupla de DJ’s Dubdogz, formada pelos irmãos gêmeos Lucas e Marcos Schmidt, já se apresentou em vários países e festivais, como Rock In Rio, Lollapalooza, Tomorrowland Brasil, Ultra Music Brasil, XXXperience e Kaballah. Agora, os irmãos desembarcam no Moinho, para realizar um sonho antigo: a Escola de Música Dubdgoz, voltada à formação musical de crianças e adolescentes, entre 8 e 17 anos, com a oferta gratuita de 45 vagas nos cursos de canto coral (30 vagas) e flauta (15 vagas) no Núcleo Moinho. .

 

 As aulas de canto coral serão realizadas às segundas, das 9h30 às 11h, e as de flauta, na terça, das 10h às 11h, no Moinho. Para participar, basta efetuar o cadastro (clique aqui). Quem não conseguir se inscrever pela internet, pode comparecer pessoalmente ao Moinho, nesta quinta-feira, dia 8, a partir de 9h, quando serão realizadas as audições.

 

“O atendimento será por ordem de chegada. A audição será conduzida pela coordenadora pedagógica, Patrícia Guimarães, que estará atenta ao ritmo, à voz, à melodia, mas também ao interesse da criança e do adolescente em estar com a gente”, explica Cristina.  O único pré-requisito é que os candidatos estejam matriculados no ensino regular. 

 

As aulas da Escola Dubdogz estão marcadas para o período de setembro a dezembro deste ano. A expectativa é que, posteriormente, com a entrada de novos investidores e doadores, sejam oferecidas mais oportunidades na oferta de cursos e vagas. “O Moinho está sendo um parceiro maravilhoso, não só dando todo o suporte para que a escola tenha esse pontapé inicial, como também o espaço físico. Queremos ampliar muito nossa atuação, para atender centenas de crianças na região”, explica a produtora executiva, Cristina Sena.   

 

Proposta pedagógica está centrada no aluno 

 

Dubdogz inaugura escola de música no Moinho para crianças e adolescentes da Zona Norte A proposta pedagógica da Dubdogz está orientada na concepção do educando como ser único, e fundamentada em sintonia com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. A metodologia tem como objetivo levar a criança e o adolescente a explorar e a descobrir todas as possibilidades dos sons através do seu corpo, das relações sociais e interpessoais. Desta forma, poderá desenvolver a capacidade de observação e apreciação, assim como fazer novas descobertas na aplicação de sua musicalidade. Entusiasmados com a possibilidade de realizarem o sonho da própria escola de música, os irmãos Lucas e Marcos Schmidt explicam que escolheram Juiz de Fora em reconhecimento à cidade onde nasceram, mas já planejam levar o projeto para outros municípios.  

 

“Estamos muito felizes. É uma realização. Depois de todo esse tempo, trabalhando com música, temos agora a oportunidade de passar um pouco do nosso conhecimento para crianças. Antes de começarmos como DJ’s, estudamos música. Eu fiz aula de guitarra, e o Lucas, de bateria. Isso ajudou muito na nossa formação. Passar isso para galera vai ser muito legal”, observa Marcos Schmidt. “A ideia é dar oportunidade para as crianças aprenderem um pouco sobre música, para terem esse conteúdo em sua formação. Quem sabe, um dia, eles poderão ser músicos, não necessariamente profissionais”, completa Lucas Schmidt. A escola mantém outro núcleo de formação no Instituto Padre João Emílio, na Zona Sul da cidade.

 

Dubdogz lança Escola de Música no Moinho

Dubdogz lança Escola de Música, no MoinhoCrianças e jovens da Zona Norte serão beneficiados com aulas de canto coral e flauta

 

Na segunda, 5 de setembro, o duo musical Dubdogz – formado pelos gêmeos Marcos e Lucas Ruback Schmidt, lança, no Moinho, a Escola de Música Dubdogz – a primeira investida da dupla em projeto sociocultural que visa contribuir para a formação artística de crianças e jovens.

 

“Nós tivemos a oportunidade de começar com nossos pais custeando os instrumentos e aulas, mas nem todo mundo tem essa chance. Nosso intuito é ajudar na inclusão social, além de incentivar a cultura”, afirmam os irmãos Schmidt.

 

A seleção dos alunos para as primeiras turmas será feita de forma presencial, no dia 8 de setembro, das 9h às 11h, no Moinho. Para o Núcleo do Moinho, serão oferecidas 45 vagas gratuitas de inicialização musical no canto coral e flauta, para crianças e jovens com idade entre 8 e 17 anos. As aulas de canto coral (30 vagas) acontecem às segundas-feiras, das 9h às 10h30 e as aulas de flauta (15 vagas), às terças-feiras, das 10h às 11h. O projeto será realizado também no Instituto Padre João Emílio, beneficiando outros 15 alunos.

 

Para se inscrever gratuitamente, clique aqui.

Alunos da APAE participam do Cine-Escola na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla

Para muitos alunos, foi a primeira vez que desfrutaram da experiência de assistir a um filme. A emoção também contagiou a família

 

“Quando começou o filme, eu já queria chorar, porque ir ao cinema é algo que eu fazia com a minha mãe e não sabia se teria a oportunidade de fazer o mesmo com meu filho”.  As palavras de Jéssica Carvalho, mãe de Miguel, uma criança autista, ilustram bem o que iniciativas inclusivas são capazes de fomentar tanto do ponto de vista individual quanto coletivo. Por isso, na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Juiz de Fora (APAE) foram os grandes protagonistas do Cine-Escola do Moinho.

 

“Sempre quis levá-lo ao cinema, mas sabia que os olhares ficariam voltados para ele. Quando o filme começou, ele pulou na piscina de bolinha, ficou correndo e ninguém olhou. Foi um alivio muito grande. Sabia que ele não ia assistir ao filme, mesmo que ele tenha falado a semana inteira sobre isso. Quando acabou, ele bateu palma como se tivesse visto o filme inteiro. É uma sensação inexplicável. Tudo o que é a primeira vez dele é diferente. Foi muito especial”, desabafou a mãe, emocionada.

 

Instituída pela Lei nº 13.585 de 2017, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla tem o objetivo de conscientizar a sociedade sobre as necessidades específicas de organização e de políticas públicas para promover a inclusão desse segmento, além do combate ao preconceito e à discriminação. Em atividade há 54 anos, atuando na habilitação e na reabilitação das pessoas com deficiência intelectual, múltipla e autismo, a APAE Juiz de Fora atende, atualmente, 335 pessoas nas áreas de assistência social, saúde e educação.

 

“Na parte da assistência social, atendemos, geralmente, maiores de 18 anos que já concluíram um percurso escolar. A finalidade é que adquiram autonomia, independência e participação social. Na educação, temos uma escola especial, com algumas séries do Ensino Fundamental e, na saúde, oferecemos atendimento com fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta”, explica a coordenadora da Assistência Social da entidade, Elisabeth Novaes.

 

O acesso aos serviços de assistência social da APAE é feito por meio de um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou de um Centro de Referência Especializada de Assistência Social (CREAS). Para atendimentos de saúde e educação, os interessados podem procurar diretamente a instituição. “Nosso objetivo é prepará-los para o mercado de trabalho, e para que possam conhecer seus direitos e deveres”, acrescenta a educadora social, Gelciara Leite, que acompanhou o grupo de alunos durante o Cine-Escola, ao lado de outros responsáveis, uma vez que o envolvimento da família neste trabalho é primordial. Muitos dos assistidos nunca tinham passado pela experiência de uma sessão de cinema.

 

“O Moinho conseguiu fazer com que todos se sentissem bem acolhidos.  A importância dessa iniciativa é muito grande. As famílias ficaram super à vontade. Vocês conseguiram deixar o ambiente apropriado, não muito escuro, com iluminação e som bem bacanas. Alguns pais nos relataram que gostaram muito do passeio, do ambiente e da forma como foram bem recebidos”, finalizou a coordenadora.

 

Moinho é palco para curso de teatro musical

Para promover e fortalecer a convivência como instância transformadora das relações humanas, oferecendo ambientes que inspiram a inovação e despertam a criatividade, o Moinho incentiva as atividades culturais e artísticas. Por isso, está sendo palco do curso de teatro musical, comandado pela professora de dança, dança contemporânea, teatro musical e balé clássico, Ana Paula Neves.

 

“Estamos na quarta edição. O teatro musical está crescendo muito no Brasil, e aqui em Juiz de Fora ainda é muito precário. Os artistas que buscavam essa formação precisavam ir para o Rio ou São Paulo. Então, resolvemos começar”, explica Ana Paula que se apaixonou pelo empreendimento desde a primeira vez que pisou nele.  “Sempre quis trazer as aulas para a Zona Norte. O Moinho oferece possibilidade de diálogo com a comunidade, com a cultura, com a arte, além de ser um espaço incrível, muito criativo”, conta a professora.

 

Além do espaço inédito, outra novidade desta edição é a aprovação do curso na Lei Murilo Mendes, o que possibilitou a inclusão de muitos alunos como bolsistas. “Metade das vagas é voltada para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Sempre oferecemos bolsas, porém com uma cota mais reduzida.  O apoio da Lei Murilo Mendes está sendo um diferencial, um grande marco para nossa iniciativa”, comemora Ana Paula Neves.

 

As aulas são realizadas às terça e quintas, das 19h às 21h. O curso que começou em abril tem duração de cinco meses, terminando em agosto. Entre os conteúdos estão canto, dança e interpretação trabalhados por seis professores de diferentes especialidades.  Ao final do curso, a turma faz uma apresentação de encerramento. A inscrição para as novas turmas da edição do próximo ano serão divulgadas nas redes sociais @anapaula_neves1 e @contempoul.